quarta-feira, 13 de abril de 2016

Catapereiro 2015 (branco)

2015-2015. Paz à sua alma.

Companhia das Lezírias. Regional Tejo. Fernão Pires, Vital, Verdelho. 12,5% vol. 1,99 € (Pingo Doce).

Casca de melão. Casca de ananás. Pastilha elástica. Bolacha Maria. Verde na boca e um nadinha salgado.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Vinha bêbado

VINHA BÊBADO SEMPRE PARA CASA

Vinha bêbado sempre para casa
Resmungando uma coisa só metade.
Mas os que não vêm bêbados p’ra casa,
Trarão consigo mais verdade?

Sim, o que é vinho tolda a inteligência:
O homem sonha e supõe que isso é pensar.
Mas o não beber vinho dá ciência?
O andar direito é acertar?

Não, o critério é errado; que o que importa
Não é saber, cá neste mundo vão,
Se se pode encontrar a casa e a porta,
Mas se se encontra o coração.

Fernando Pessoa (1934)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Quinta de S. Francisco 2010

Amigos leitores: é Primavera; e nós estamos vivos.



Comp. Agr. do Sanguinhal. DOC Óbidos. Castelão, Aragonez, Touriga Nacional. Miguel Móteo (enol.). 13,5% vol. 4,99 € (Intermarché).

Notas aromáticas de pimento {verde}, fruta silvestre, resina {de pinheiro}, After Eight Mint Chocolate Thins e café. Aveludado (mas ainda com uma suave rugosidade, e tintureiro, descobre-se nos dentes), fino, de contornos nítidos, frutado, com um bom travo vegetal.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Terra d'Alter Reserva 2012

Ih... deixei-me hibernar. Granda urso.



Terras de Alter, Comp. de Vinhos. Regional Alentejano (Fronteira). Trincadeira, Tinta Caiada, Aragonez e outras de vinhas velhas. Peter Bright (enol.). 15% vol. Cerca de 14 € (Café Alentejo).

Aroma complexo, insinuante, de flores, frutos e plantas silvestres, com notas balsâmicas e uma exalação de perfume feminino. Grande na boca, em estrutura, sabor e final. Seriamente bom.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz vinho novo

Eh pá, ontem comprei um tinto de 2015. Terra d'Alter, o tal australentejano. Bebi-o ao jantar e hoje ao almoço, com mais curiosidade do que satisfação. O vinho está adstringente e fechado no tocante a aromas. Olhem, vai bem é com uma daquelas guloseimas algarvias em massa de amêndoa e doce e fios de ovos. Ou com uma batatinha de maçapão. Ou com as duas.

Feito de Trincadeira, Aragonez e Syrah, diz que passou seis meses em carvalho francês. Seis meses. Portanto, isto é vinho de Junho, Julho, o mais tardar. O sol em Fronteira está forte, ó Peter.

Para não pensarem que estou a mangar.

Feliz vinho novo! Feliz ano novo!

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Apanhei-te, Beaujolinho

Senhoras e senhores, amigos leitores. Ontem, abandonado, apeado, desterrado, e por todas as formas impossibilitado de rumar à Festa do Vinho Novo no Café Tati, como apetecia, mas profissionalmente obstinado e provisoriamente ousado, montei-me no meu fiel duas-pernas e caminhei mais de seis quilómetros em busca de uma garrafa de Beaujolais Nouveau. Quer dizer, deu-me a maluqueira. Ou será que tenho um problema com a bebida? Fosse o que fosse, passou-me tudo quando me sentei a beber sensivelmente o meu quartilho de Gamay.

Grâces à Dieu.

Quanto a notas de prova, basta repetir as de Bernard Pivot, que não falham por muito: «um vinho alegre, arrojado, de bochechas vermelhas, boca de Primavera, que se degusta menos do que se emborca como um elixir de juventude e de bom humor»; «uma curiosidade, uma felicidade de circunstância, uma gulodice temporã e apetitosa», com «os seus aromas de pomar de padre e de canteiro de professor primário».

À votre, amis français.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Vinho novo, vida nova

«Para compreender o sucesso fenomenal do beaujolais nouveau, é preciso ser melhor psicólogo do que enólogo. Novembro é o mês mais triste do ano. Tempo frio, húmido, ventoso. O Verão e as férias não são mais do que fotografias. No dia 1 ou 2, visitou-se os cemitérios. O dia 11 celebra a vitória de milhões de mortos. Há sempre greves. O Natal parece ainda muito longe. Aborrece-se. Tem-se o moral nas meias. E eis que, na terceira quinta-feira, irrompe um vinho alegre, arrojado, de bochechas vermelhas, boca de Primavera, que se degusta menos do que se emborca como um elixir de juventude e de bom humor. Na melancolia do Outono, uma vontade de festa popular exprime-se através do beaujolais nouveau. A sua sorte é chegar no momento certo.

Não é senão uma curiosidade, uma felicidade de circunstância, uma gulodice temporã e apetitosa. Em Tóquio como em Nova Iorque, em Vancouver como em Seul, ele destoa, porque é um dos raros produtos a afastar-se da tradição do grande luxo à francesa. Recebe-se-lo sem cerimónias e aprecia-se — senão, porque o beberiam estes estrangeiros? — os seus aromas de pomar de padre e de canteiro de professor primário.»

Bernard Pivot, em Dictionnaire Amoureux du Vin (2006)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Damasceno 2013 (branco)


Quinta da Serralheira – Vinhos. Regional Península de Setúbal. Fernão Pires, Chardonnay, Verdelho. Nuno Cancela de Abreu (enol.). 13,5% vol. 14 € (?) (490 Taberna STB).

Citrino como um limão maduro nos aromas, arredondado nos sabores, mineral nos confins. Deu excelente conta de si com duas ostras de Setúbal (tão-só as que restavam às 14h de um domingo de Verão), um tachinho de mexilhões e um delicado arroz de lingueirão.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Quinta do Boição 2000


Caves Velhas. Regional Estremadura (Bucelas). Trincadeira, Castelão, Tinta Miúda, Camarate. 13% vol. 1 € (Caves Velhas).

Um bouquet muito capaz, com notas aromáticas de couro, compota, licor, flores, plantas balsâmicas, eucalipto, unto, cogumelos, osmazoma, fumo, bacon, caramelo tostado etc. Boa acidez e bom travo.

Dê-se-lhe tempo! Nisto de vinhos velhos (e nos novos, igual; e nos whiskies; e em tudo), nem hesitações, nem precipitações. Há que deixá-los perder o pivete da garrafa, assentar e abrir. Que é como quem diz, não entrar a matar. Um bom princípio geral.

Custa um euro (o negócio é duas garrafas, dois euros) na Enoteca das Caves Velhas. O Casal da Eira, também ali à venda, já se atira aí prò euro e meio. Mas é preciso ver que é em Tetra Brik.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Chão do Prado 2014


António João Paneiro Pinto. DOC Bucelas. Arinto, Esgana-Cão. Paulo Laureano (enol.). 12% vol. Cerca de 4 € (El Corte Inglés).

Cheira a pêra madura. Na boca sente-se o mesmo aroma, mas está um branco essencialmente citrino e muito vibrante. A par do Morgado de Bucelas (não comparando, mas será um exercício interessante), é um dos meus Bucelas preferidos: esperto, modesto, típico, livre de mariquices e saloiadas. Quer dizer, se é esperto e de Bucelas, pode-se falar em esperteza saloia. Mas não é nenhum «wine of Shakespeare». (Inventar por inventar, mais valia irem chul—chatear o Camões.) Rejubilemos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

JA 2011


Um Bife à Café Lisboa — reencarnação do vetusto Bife à Marrare, com «um molho de carne à séria» — um caldo feito com os ossos e as aparas da carne, ligado com um tantesquinho de natas, de mostarda ou de manteiga — e uma garrafa de JA tinto, sob os tectos augustos do Teatro Nacional de São Carlos. Um sopro de civilização na choldra ignóbil.


Quinta do Monte d'Oiro. Regional Lisboa (Alenquer). Syrah. Graça Gonçalves (enol.) (?). 13% vol. 15 € (Café Lisboa).

Com notas aromáticas lembrando ameixas e cerejas, mas também osmazoma e fumo, está um tinto delicado e elegante, de um brilho palatável — quer dizer, magicando na boca uma sensação de brilho. Supinamente gastronómico, como tinha de ser um vinho produzido por José Avillez e José Bento dos Santos na Quinta do Monte d'Oiro.